Sobre a vadiagem

Por Babete

Existe uma grande diferença entre mulher que gosta de dar e mulher vadia. A diferença não está na mulher. As duas gostam de sexo, as duas querem ter prazer, as duas querem se divertir. A diferença está na cabeça dos outros. Mulheres que gostam de sexo e procuram sempre descobrir mais sobre o que lhes dá prazer são vistas de duas maneiras, ambas perturbadoras. Há os que as admiram, que gostam de estar com elas e partilham da mesma idéia (ou não, apenas admiram). Mas há também uma grande parte da humanidade que simplesmente as colocam como vadias.

Gosto de ser admirada, é claro, mas me divirto com os que me olham torto. Eu não sou do tipo que chega arrasando nos lugares nem atraio todos os olhares masculinos. Sou decidida, discreta e segura. Eu sei conseguir aquilo que quero sem ser agressiva, mas também sei ficar na minha se erro no alvo. E não gosto de frescuras, mentirinhas bestas, gosto da coisa acontecendo sem enrolação.

Vadias são execradas porque vão atrás do que querem, não ficam esperando as coisas caírem do céu. A TFP* cai matando mesmo nas mulheres que decidem, que partem pra cima. Mulher dada é mulher atirada, que não se valoriza. Mas eu nem quero saber. Só faltava agora, a essa altura da vida, ficar preocupada com o que a TFP vai pensar.
(* Tradição, Família e Propriedade, uma entidade moralista que apoiou o golpe de 1964 e deu no que deu. E não, eu não estava lá quando tudo rolou)

Mulher que não se valoriza? Que valor é esse? Devo ficar em casa, com as pernas bem cruzadas, esperando um príncipe encantado que vai me comer do mesmo jeito monótono pra sempre? Ai, me poupe… Essa mulherada cresce com culpa até de se masturbar. Eu devia ter uns cinco anos quando descobri o que era um orgasmo, no chuveiro. Não fazia idéia do que estava fazendo até ver a cara da minha mãe. Culpa pura. Mas, mesmo sendo tão convencional, ela nunca me podou nem me censurou. A culpa persegue todas as mulheres, pelo menos as que tem alguma moral. Moral nunca me faltou, o que eu eliminei da vida foi a culpa por sentir prazer.

É claro que não existe mal nenhum em querer ficar com um homem só a vida toda. Cada mulher busca ser feliz do seu jeito. O ideal é que o cara também queira isso, assim ela vai mesmo ser feliz. Eu tenho certeza que existem casais com décadas de relacionamento e que se respeitam e não traem. Mas eu sinceramente não entro nessa categoria. Eu não sirvo pra ser esposa eterna. Gosto da novidade, da descoberta, gosto de me jogar. Acho que eu meto um pouco de medo na mulherada, às vezes por inveja, mas muitas vezes por puro preconceito. Mas há aquelas que se espelham na idéia de ir atrás daquilo que quer.

Já que eu estou aqui, viva e saudável, quero ter prazer. Quero transar, gozar muito e dar prazer. Quero experimentar, passar dos limites, apanhar, gemer, morder, beliscar. Não tenho medo, menos ainda vergonha de dizer que gosto mesmo de dar, e dar gostoso.

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