O dia da graça

Por Carol Frederico

Quando eu entendi qualé que era a dessa música (Caçada), quase tive um surto psicótico! Mais uma vez o Chico, uma das mentes mais brilhantes desse globo, desvendara um mistério de uma maneira tão bonita.

E foi engraçado, porque eu estava pensando justamente nisso alguns dias atrás: caçar e ser caçada.

Eu sou retardada, então só agora me dei conta de que sou um pouco atiradinha demais para uma garota. E bastante direta também. E os homens não gostam disso.

Mas o que me importa o que eles gostam??? Eu deveria me importar com o que EU gosto, certo??? Eu gosto de caçar. Gosto de dar em cima, de convidar pra sair, elogiar, falar que acho bonito, que gostei do sapato, do perfume. Enfim, eu sou um garoto, eu sou um cara.

E há anos as pessoas tentam explicar para mim como funciona esse tal “jogo da sedução”. Já tentaram desenhar, fazer mímica. Eu realmente não entendo. Vinte e sete anos e não sabe naaaaaaaada! Não entendo por que a gente tem que se fazer de desentendida se está entendendo exatamente o que está acontecendo? Por que a gente tem que fingir que não gosta de uma pessoa quando gosta?

(É só no começo, até conhecer, Carolina-idiota. Não precisa se jogar assim, logo de cara. O mantra ecoa na minha cabeça, mas eu tenho muita dificuldade para seguir, sério, mesmo)

Esse lance, de esperar o tempo certo, é um bom argumento… Outro argumento, que eu não penso ser tão bom assim, é o da questão da natureza. É da natureza do homem ser assim, caçador. O homem tem que caçar, enquanto a mulher deve ser caçada. Só porque eles querem (imaginem a minha foto fazendo uma banana)!!! Só porque eles querem e sempre quiseram assim, ao longo de muitos e muitos anos, e isso ficou conhecido como “natureza”.

Então, se é assim, eu acho que vou continuar seguindo a minha natureza… E continuar dando em cima dos caras descaradamente. E vez ou outra vou tendo os meus dias de graça, que segundo a música é a TREPADA, a FODA (ooops)!

Se liga na letra, gravada lindamente por Bebel Gilberto, que ouço agora enquanto escrevo.

Caçada
(Chico Buarque/1972)
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues

Não conheço seu nome ou paradeiro
Adivinho seu rastro e cheiro
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca
Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador

Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
Que num mesmo impulso me expulsa e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador

De tocaia fico a espreitar a fera
Logo dou-lhe o bote certeiro
Já conheço seu dorso de gazela
Cavalo brabo montado em pêlo
Dominante, não se desembaraça
Ofegante, é dona do seu senhor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador

Dou Mesmo Autor

Comentários

    thahy

    (6 de setembro de 2007 - 13:36)

    é
    eu sou um cara tb

    qria morar na holanda
    lá deve ser legal ser caçadora!

    raq c.

    (17 de setembro de 2007 - 12:14)

    oi, moça buscapé. lembra que uma vez a gente abriu um blog, as duas? ainda nos tempos de revista da hora? ele deve estar no ar em algum canto da web, porque a gente nunca deletou…
    beijos, saudade
    raq

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